Reabilitação funcional

Prevenção de quedas em idosos: o que a fisioterapia faz na prática

Mulher idosa em exercício de equilíbrio na barra, apoiada pela fisioterapeuta

Uma em cada três pessoas com mais de 65 anos cai pelo menos uma vez por ano. A queda não é fatalidade da idade: é, em grande parte, consequência de perda de força e de equilíbrio, duas capacidades que respondem a treino em qualquer idade.

O número que orienta o trabalho

A revisão da Cochrane de 2019 (Sherrington e colaboradores), que reuniu 108 estudos e mais de 23 mil participantes, concluiu que programas de exercício reduzem a taxa de quedas em idosos que vivem na comunidade em cerca de 23%. Os programas mais eficazes têm duas características: desafiam o equilíbrio e incluem exercícios funcionais, isto é, movimentos parecidos com as tarefas do dia a dia.

A OMS, nas diretrizes de atividade física de 2020, recomenda que pessoas com 65 anos ou mais façam atividade multicomponente, com ênfase em equilíbrio funcional e treino de força, em três ou mais dias por semana.

O que "desafiar o equilíbrio" significa

Não é ficar parado em pé. É reduzir a base de apoio, mover o centro de gravidade e reagir a perturbações, sempre com segurança. Alguns exemplos do que entra no plano:

  • Apoio em uma perna, primeiro com as mãos na barra, depois com um dedo, depois sem apoio.
  • Passos para os lados e para trás, mudanças de direção, passos sobre pequenos obstáculos.
  • Levantar e sentar da cadeira sem usar as mãos, com e sem contar o tempo.
  • Caminhar enquanto conversa ou carrega algo, porque é assim que as quedas acontecem na vida real.

Força: a outra metade

Equilíbrio sem força não sustenta. A partir dos 30 anos perdemos de 3% a 8% da massa muscular por década, e o ritmo acelera depois dos 60. Por isso o plano inclui força de pernas, quadril e tronco, com carga que aumenta aos poucos. Nos aparelhos de Pilates, a mola permite começar com muito apoio e evoluir para exigência real, sem o risco de um peso livre.

Como o progresso aparece

A fisioterapeuta mede o ponto de partida com testes simples (tempo para levantar da cadeira e caminhar alguns metros, tempo em apoio unipodal, velocidade de marcha) e repete essas medidas ao longo das semanas. No dia a dia, o progresso aparece como subir a escada sem segurar, entrar no ônibus com segurança, levantar do chão sozinho. Quando a pessoa volta a confiar no próprio corpo, ela sai mais de casa, e sair de casa é o que mantém o resto.

Quando começar

Agora. Não é preciso ter caído para começar. Os sinais de alerta são: segurar em móveis para andar pela casa, evitar escadas, sentir as pernas "fracas", ter medo de cair. Cada um deles indica que o treino de força e equilíbrio já faz diferença. Se houve uma queda recente, a avaliação deve ser feita logo, também para verificar outros fatores (visão, medicação, calçados, ambiente da casa).

Fontes: Sherrington C et al. Exercise for preventing falls in older people living in the community. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2019 · OMS. Guidelines on physical activity and sedentary behaviour, 2020 · Volpi E, Nazemi R, Fujita S. Muscle tissue changes with aging. Current Opinion in Clinical Nutrition and Metabolic Care, 2004.

Texto informativo, com fontes indicadas. Não substitui avaliação profissional: cada pessoa tem um quadro próprio. Em caso de emergência, procure um serviço de urgência ou ligue 192.